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Saúde como Geradora de Riqueza: os desafios da saúde suplementar no Brasil

por 22 de fevereiro de 2019 junho 13th, 2019 ANS, Custos Assistenciais, Valorização da saúde

O bem mais precioso dos seres humanos é o tempo. Por isso, ao pensarmos nos desafios da saúde suplementar no Brasil, é preciso ter em mente que quem maneja serviços de saúde em qualquer nível ou setor, na verdade, opera com uma moeda de valor inestimável. Queremos ter tempo. Porém, ele precisa ser de qualidade e, de preferência, com o corpo em plena forma e energia.

Segundo dados do Banco Mundial divulgados ano passado, os gastos com saúde pública no Brasil em 2015 equivaleram a 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Dessa forma, esse número coloca o país na 64ª posição em um ranking com 183 países. Apesar de ser um pouco maior que os 3,6% em média investidos na América Latina e Caribe, está bem abaixo de países desenvolvidos, que aplicam, em média, 6,5% do PIB em saúde.

Já na saúde privada, diferente de outros países, o gasto privado supera o público. No entanto, apesar de longe do ideal europeu, segundo a análise de Luiz Gonzaga, Diretor Geral do Hospital SOS Cárdio, o maior problema não está na porcentagem de investimentos destinados à saúde, mas sim o montante total do PIB, ou seja, trata-se de um problema econômico. Além disso, soma-se a crise relacionada ao desemprego e outros problemas estruturais enraizados na essência da saúde suplementar no Brasil. Falaremos sobre eles a seguir:

Soluções para a Saúde Suplementar no Brasil

Acessibilidade

Ter acesso a uma saúde de qualidade no Brasil depende de múltiplos fatores. Os que têm emprego formal, em geral, têm planos privados, atendimento individualizado e estatisticamente mais eficaz. Porém, o desemprego no Brasil continua alto e os planos privados não são acessíveis para a maioria dos trabalhadores informais.

Na visão de Gonzaga, o problema seria amenizado com uma virada na economia brasileira. Com mais pessoas trabalhando e incremento na renda resultante de riquezas de maneira geral, haveria mais usuários de plano de saúde e o investimento per capita em saúde pública poderia ser maior que o atual, mesmo que se mantenha a porcentagem de 3,8%.

Sistema de Remuneração

Hoje um paciente no Brasil, quanto mais tempo fica doente, mais gera renda para o médico e o hospital. Se analisarmos com atenção, é um modelo que premia o fracasso e não o sucesso. Um médico que consegue, em apenas um dia de internação, o mesmo resultado do que aquele que mantém seus pacientes durante dias no hospital, acaba sendo pior remunerado. “Isso onera os planos de saúde e não valoriza profissionais que alcançam bons índices de eficácia”, declara o empresário. Neste caso, a solução seria adotar modelos que preconizem o desfecho positivo. Tais como:

  • DRG (Diagnosis Related Groups): 

    É a lógica do sistema de saúde dos EUA e alguns países da Europa. Usa como base a classificação dos pacientes por diagnóstico, dividindo-os em grupos para a observação de padrões relacionados a gastos. No entanto, apesar de mais estruturado e organizado, ainda remunera procedimentos e volume de atendimento, ou seja, não configura um pagamento por performance.

  • Premiação (P4P – pay-for-performance): 

    Aparece como um complemento do DRG e é também aplicado no sistema de saúde estadunidense. Consiste em recompensar pelo sucesso, mas não tem regra definida. Assim, as diretrizes vão depender do contexto e necessidades de cada realidade.

  • Incentivos: 

    É como funciona o sistema de saúde da Inglaterra. Este modelo foi criado no ano de 2008 para premiar a eficácia de clínicos gerais. Nele, o objetivo é recompensar o sucesso. Hoje, já tem a adesão de 100% dos profissionais que são avaliados com base em 148 indicadores de qualidade.

Nesse contexto, a tecnologia torna-se essencial para a aplicação de qualquer uma das lógicas que se queira adotar. Afinal, é necessário ter dados concretos para uma boa gestão. Assim é possível fazer com que o sistema seja justo, gerando mais lucros ao mesmo tempo que se torna mais eficaz.

Entendimento do que é saúde

O terceiro ponto é o entendimento do valor da saúde e das responsabilidades de cada um. Talvez esse seja o mais importante. “É o que chamamos dupla solidariedade. Os que têm mais dinheiro pagam, além dos impostos, planos privados para que haja mais renda e recursos na outra ponta”, afirma Gonzaga.

No entanto, é necessário aumentar a concorrência entre os planos de saúde. Essa concorrência eleva a qualidade, amplia o acesso e baixa os preços. “Em um cenário ideal, todas as pessoas pagariam por seus planos e o governo não precisaria intervir em nenhum caso”.

No contexto da prevenção e da saúde integral, Gonzaga explica que prevenir e promover a longevidade sai caro para as operadoras de saúde. Afinal, quanto mais próximo do fim da vida, mais custos com saúde a pessoa gera ao superar problemas graves inerentes à velhice. No entanto, é importante nunca perder de vista que o objetivo do mercado de saúde é que viva-se mais e melhor, sempre valorizando o que é mais caro ao ser humano: o tempo.  

 

 

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