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Inteligência artificial na saúde: tendência, moda ou modismo?

por 1 de novembro de 2017 junho 13th, 2019 Valorização da saúde

Ultimamente, se você trabalha com saúde já deve ter se perguntado se essa tal de inteligência artificial veio para ficar, não é verdade? E ainda, se veio para ficar, o que de concreto ela vai trazer? Ela é uma ameaça ou uma oportunidade para os profissionais de saúde?

O interessante desse atual movimento é que ele acontece frequentemente na indústria da moda. As tendências afloram de acordo com a evolução das necessidades, comportamentos e tecnologias. Algumas se transformam em uma realidade duradoura (moda) enquanto outras não sobrevivem a vontade das pessoas usarem (modismo).

Na minha opinião, o uso da inteligência artificial na saúde é uma tendência que tem seu lugar na história, que vai trazer muitos benefícios para as pessoas, inclusive aos profissionais de saúde:

Doenças serão detectadas mais cedo, o que permitirá tratamentos mais eficazes e personalizados.
Medicamentos serão desenvolvidos a um custo mais baixo, viabilizando o seu alcance para um número maior de pessoas.

Todos nós poderemos ter um assistente virtual que ajudará a nos mantermos saudáveis, tanto fisica quanto psicologicamente.

Este post irá abordar desde a definição de inteligência artificial até as principais aplicações já disponíveis (ou em vias de estar no curto prazo) e o seu impacto no papel dos profissionais de saúde.

O que é inteligência artificial?

Só a definição de inteligência artificial já gera bastante discussão. Alguns defendem um conceito mais avançado, onde um sistema para ser considerado inteligente precisaria passar pelo Teste de Turing, onde uma pessoa não conseguiria distinguir entre um resultado dado pela máquina e outro dado por um ser humano. Deixando essas questões de lado, de fato a definição mais corrente atualmente trata a inteligência artificial como uma plataforma de tecnologias que simulam a capacidade humana de perceber situações, tomar decisões e resolver problemas.

Quais as tecnologias estão sendo mais usadas?

Nos últimos anos, a capacidade de processamento e armazenamento de dados atingiu um patamar que popularizou a utilização de tecnologias que antes só estavam disponíveis para centros avançados de pesquisa e desenvolvimento. Assim, temos diversos grupos acadêmicos e empresas desenvolvendo pesquisas e produtos com o uso de diversas tecnologias associadas à inteligência artificial, sendo que as mais usadas são:

  • Reconhecimento de Voz: A partir de um ditado, o computador transcreve o que ouviu para um texto.
  • Processamento de linguagem natural: aqui o computador analisa um texto para entender o sentido do que está escrito, considerando que podem existir contextos, erros, abreviações, sinônimos, homônimos e por aí vai.
  • Agentes Virtuais: Uma das tecnologias mais em voga atualmente por causa dos famosos chatbots, que são robôs que conseguem conversar com a pessoa através de aplicativos de mensageiria para ajudá-las a resolver problemas específicos. Podem ser combinados com as tecnologias acima para facilitar a interação, como vemos hoje com a Siri (Apple), Cortana (Microsoft), Alexa (Amazon) e Google Now.
  • Machine Learning: nome bonito para aprendizado de máquina, onde o computador analisa um volume de dados para identificar padrões e com isso prever ou decidir sobre possíveis cenários futuros.
  • Deep Learning: aqui o caldo engrossa. Essa tecnologia é uma evolução do “machine learning”, onde são feitas análises de dados em paralelo, interdependentes entre si. Procura imitar o funcionamento de um cérebro e por isso são conhecidas também como “redes neurais profundas”.

 

 

Na prática, o que essas tecnologias entregam?

As tecnologias acima, usadas individualmente ou combinadas, têm um potencial enorme para resolver diversos problemas na saúde. Inclusive uma consultoria americana especializada em negócios de compra/investimento em empresas nascentes (startups), concluiu que é no setor de saúde onde mais ocorreram “deals” de empresas que trabalham com inteligência artificial.

E dentro da saúde, as categorias mais quentes são a definição de “insights” (sugestões/ ideias), análise de risco, monitoramento e gestão do estilo de vida, além da área de diagnósticos, inclusive por imagem.

  • Preenchimento de prontuários e outros registros de saúde: O reconhecimento de voz traz um ganho considerável de produtividade para os profissionais da saúde, na medida que podem alimentar prontuários e registros de saúde sem que tenham que digitar o conteúdo. O uso dessa tecnologia já é comum nos softwares de laudos radiológicos, onde o médico cria o laudo ditando suas conclusões durante a análise das imagens. No curto prazo, os prontuários eletrônicos também a adotarão, para colaborar na solução de um problema que cada vez mais atinge os profissionais de saúde, que é o burn-out (excesso de trabalho) causado pela necessidade de se alimentar os softwares de gestão durante e depois das consultas médicas.
  • Suporte ao diagnóstico de câncer e outras doenças: com o uso do processamento de linguagem natural e machine learning, milhares/milhões de registros históricos (em vídeo e texto) são processados para identificar padrões de desenvolvimento dos diversos tipos de câncer, como os de pulmão, mama e próstata.
  • Avaliação de risco de enfarto, AVCs e outros incidentes vasculares: As doenças cardíacas estão sendo investigadas, inclusive com o uso de “wearables” que medem pequenas variações no fluxo sanguíneo e permitem identificar fibrilações atriais do coração.
  • Definição de tratamentos personalizados: com o uso combinado de sequenciamento genético, é possível identificar com precisão alta quais mutações ocorreram e indicar medicações mais adequadas. Da mesma forma com o planejamento de quimio e radioterapias, para que sua atuação seja maximizada e os efeitos colaterais minimizados.
  • Ajuda na prevenção de complicações em doentes crônicos: diversos aplicativos móveis já estão disponíveis para que as pessoas possam desenvolver comportamentos saudáveis sob o ponto de vista físico e psicológico. São aplicativos especializados, que “digerem” milhares de artigos científicos publicados e depois interagem com o usuário para esclarecer e orientar sobre dúvidas e ações a realizar para manter sua saúde sob controle e evitar as internações e cirurgias.
  • Assessoria à tomada de decisão por parte dos gestores de saúde: assim como as tecnologias mencionadas colaboram diretamente para a melhoria da saúde das pessoas, irão também ajudar os gestores na interpretação de resultados e avaliação de cenários futuros. Analisando as contas médicas e outros registros, é possível definir o risco de um beneficiário ter um custo maior para conseguir o mesmo nível de qualidade assistencial. Também se permite identificar ações para redução nos custos que não incorram na redução na quantidade de pessoas beneficiadas.

E os profissionais de saúde, serão substituídos?

Chamou a atenção uma afirmação de um renomado professor de medicina dizendo:

as faculdades não deveriam formar mais radiologistas, dado que os sistemas informatizados iriam fazer a identificação com uma acurácia superior aos dos humanos.

De fato, já existem pesquisas que comprovam que isso é realidade para algumas especialidades. Por outro lado, e essa é a vertente predominante, isso não significa que os médicos e demais profissionais serão substituídos. O que acontecerá é uma adaptação da forma como interagem com seus pacientes, dispondo de mais tempo para realizar um serviço mais humanizado.

Todos os sistemas com inteligência artificial funcionarão como suporte ao profissional de saúde, que reforçará o seu papel de consultor confiável na gestão de saúde da pessoa. Ao invés de atuar apenas no momento da doença, os profissionais estarão em constante contato (na maioria das vezes, virtual) com seus pacientes, melhorando a experiência para as pessoas.

Como discorrido aqui, a inteligência artificial é um caminho sem volta. Com um número cada vez maior de casos de sucesso, estará mais e mais presente no nosso dia-a-dia, inclusive para nos ajudar a cuidar da nossa saúde. Os profissionais de saúde – médicos, enfermeiros, técnicos, fisios, gestores, etc… – irão se utilizar dessas tecnologias para decidirem melhor, mais rápido e a um custo mais baixo, sem detrimento a qualidade da condição de saúde da pessoa.

Quem viver verá…

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